parto de palavras

rosane coelho

Meu Diário
26/10/2006 20h14
PRAÇA TIRADENTES
* Curitiba *

Eu vejo você na praça,
nos bancos,
nos cantos
da praça.

Eu sinto o cheiro
de suor
do teu cansaço
e do cigarro
teu

É um mistério
o que te empurra
passo a passo
de roupa velha
e sapato gasto
sem direção

A não ser
a desta Sena
acumulada,
guardada
bem disfarçada
no bolsinho surrado
do coração.

Nédier/ 1996

Tela Di Cavalcanti


Ai, que lindo! Ganhei esse poema de presente e nem é dia do meu aniversário... Chegou ainda agorinha através dessa rede que une corações e mentes, como diria HH (rs...). A Nédier mora em Curitiba e a gente é muuuito amiga há muuuito, muuuuito tempo. Acho que desde sempre... Os versos da "Praça Tiradentes" demonstram, com muita sensibilidade, que quem vê cara não vê coração. Com relação aos laços que nos unem, poderíamos dizer que quem não vê cara, vê coração (às vezes até com mais precisão...).

Todo mundo que "é do bem" carrega, como o homem desses versos, "uma Sena acumulada, guardada, bem disfarçada, no bolsinho surrado do coração".

Parceira, muito obrigada pelo carinho-poesia que hoje enfeita esse cantinho que já estava ficando meio esquecido.

Publicado por Rosane Coelho em 26/10/2006 às 20h14
 
14/10/2006 16h55
QUEM MORRE?
(esse texto circula na internet, atribuído, equivocadamente, a Pablo Neruda)

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos; quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

* enviado por lênia luz *


Morro eu, engolida por esse oceano de mesmice, onde flutuo agarrada à tábua de conservação de dores primitivas. Não afundo, mas também não me arrisco a enfrentar o mar em largas braçadas que, quem sabe, me levarão à praia...
Morro eu nos lugares de todo dia, onde encontro as mesmas aparentes pessoas que não amo, mas também não odeio. Não fedem nem cheiram. Não surpreendem minha indiferença.
Morro uma morte cinzenta, sem amor que me chore ou desamor que me pragueje.
Morro sem sentir e sem que me sintam morrer.
Morro a cada desejo reprimido, a cada paixão recalcada.
Morro uma morte segura, sem riscos.
Morro uma morte homeopática: lenta e sem efeitos colaterais.

Publicado por Rosane Coelho em 14/10/2006 às 16h55
 
06/10/2006 20h12
NOSSO MEDO
(Nelson Mandela)

O nosso medo mais profundo
não é o de sermos inadequados.
O nosso medo mais profundo
é que somos poderosos
além de qualquer medida.

É a nossa luz,
não as nossas trevas,
que mais nos apavora.

Nós nos perguntamos:
Quem sou eu para ser:

Brilhante...
Maravilhoso...
Talentoso...
Fabuloso...

Na realidade
quem é você
para não ser?

Você é filho do universo.
Se você se fizer de pequeno
não ajuda o mundo .

Não há iluminação
em se encolher,
para que os outros
não se sintam inseguros
quando estão perto de você.

Nascemos para manifestar
a glória do Universo
que está dentro de nós .

Não está apenas
em um de nós:
ESTÁ EM TODOS NÓS!

E conforme deixamos
nossa própria luz brilhar,
inconscientemente,
damos às outras pessoas
permissão para fazer o mesmo.

E conforme nos libertamos
do nosso medo,
a nossa presença,
automaticamente,
liberta os outros.


* enviado por Nédier, que recebeu da Marisa Giglio *


Cada ser contém uma centelha do divino. A luz do mundo é a soma de todas as luzes individuais. Quando liberto minha latente porção luminosa manifesto "a glória do Universo", cumprindo o que creio ser a missão maior de cada indivíduo: B R I L H A R !

Publicado por Rosane Coelho em 06/10/2006 às 20h12
 
03/10/2006 22h06
SAUDADE
(Autor Desconhecido)

"Um dia a maioria de nós irá se separar.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia,
das vésperas de finais de semana, de finais de ano,
enfim... do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino,
ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar quem sabe......

Podemos nos telefonar, conversar algumas bobagens....
Aí os dias vão passar, meses...anos... até este
contato tornar-se cada vez mais raro.
Vamos nos perder no tempo....Um dia nossos filhos
verão aquelas fotografias e perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos...Que eram nossos amigos.
E... isso vai doer tanto!

Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores
anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente......
Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos
reuniremos para um último adeus de um amigo.
E entre lágrima nos abraçaremos.

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele
dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado
para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado.
E nos perderemos no tempo.....

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo :
não deixes que a vida passe em branco,
e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades....

Eu poderia suportar,
embora não sem dor,
ue tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"


* do Baú da Nédier *


É assim mesmo que acontece: a gente vai relaxando das amizades, se ocupando com outros afazeres que não a conversa na mesa do barzinho, quando tínhamos muito mais respostas do que indagações. A cada noite salvávamos o mundo que o dia seguinte - esse traidor - esculhambava novamente... De repente a gente se descobre finito, mortal, cheio de recordações e de saudades... Que essa reflexão nostálgica nos ajude a valorizar o momento e os laços de afeto que nos mantêm vivos!

Publicado por Rosane Coelho em 03/10/2006 às 22h06
 
26/09/2006 19h35
O ANALFABETO POLÍTICO
(Bertolt Brecht)

O pior analfabeto
É o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.

Não sabe o imbecil que
da sua ignorância
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, o corrupto e o lacaio
Dos exploradores do povo.


Foto: Protesto popular vitorioso contra a venda da Copel, agosto/2001 - Centro Cívico/Curitiba.

* do Baú da Nédier *


Em tempos de eleição, não é demais repetir Brecht e oferecer esses versos à reflexão. A caracterização do analfabeto político e a enumeração das conseqüências econômicas e sociais de sua omissão constituem verdade universal e atemporal.

Publicado por Rosane Coelho em 26/09/2006 às 19h35



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